Como criar uma lista de clientes para futuras vendas

Criar uma lista de clientes para futuras vendas é uma maneira de manter o relacionamento com pessoas que já compraram, pediram orçamento ou demonstraram interesse no negócio. O objetivo não é simplesmente acumular nomes e números de telefone, mas construir uma base organizada que permita identificar oportunidades de contato sem transformar a comunicação em mensagens indesejadas.

Essa lista pode começar em uma planilha e, conforme o negócio cresce, migrar para um CRM ou outra ferramenta de gestão. O mais importante é definir quais informações realmente serão utilizadas, manter os dados atualizados e observar as regras da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais, a LGPD.

O que é uma lista de clientes?

Na prática, é uma base que reúne informações necessárias para administrar o relacionamento comercial com clientes e potenciais compradores.

Nome, endereço de e-mail e número de telefone, por exemplo, podem ser considerados dados pessoais quando estão relacionados a uma pessoa natural identificada ou identificável. A LGPD estabelece regras para operações realizadas com esses dados, inclusive coleta, utilização e armazenamento.

Por isso, criar uma lista comercial exige mais cuidado do que simplesmente copiar contatos do celular.

A empresa deve saber de onde as informações vieram, para qual finalidade serão utilizadas e qual hipótese legal sustenta o tratamento. A própria ANPD explica que a LGPD prevê diferentes bases legais, incluindo consentimento, execução de contrato, cumprimento de obrigação legal e legítimo interesse, entre outras.

Comece definindo para que a lista será usada

Antes de abrir uma planilha e cadastrar pessoas, determine a finalidade.

Uma loja pode querer manter contato com clientes interessados em lançamentos. Um profissional autônomo pode precisar acompanhar pessoas que solicitaram orçamento. Uma empresa de serviços recorrentes pode utilizar sua base para administrar o relacionamento com clientes ativos.

Ter uma finalidade clara ajuda a decidir quais dados realmente precisam ser coletados.

Se o negócio pretende apenas enviar comunicações por e-mail, por exemplo, talvez não exista necessidade de solicitar endereço residencial, data de nascimento e outras informações adicionais.

Essa redução é importante também para a privacidade. A LGPD trabalha com princípios como finalidade e necessidade, portanto a coleta deve ser compatível com o objetivo informado e limitada ao necessário para essa finalidade.

Quais informações colocar na lista?

Uma base comercial simples pode conter poucos campos. A estrutura exata dependerá do tipo de negócio, mas normalmente é útil considerar:

  • nome do cliente;
  • meio de contato necessário;
  • data do primeiro atendimento ou cadastro;
  • produto ou categoria de interesse;
  • situação do relacionamento;
  • última interação;
  • observações comerciais realmente necessárias.

Não é obrigatório preencher todos esses campos.

Uma empresa que vende diferentes categorias de produtos, por exemplo, pode registrar interesses gerais para evitar comunicações sem relação com aquilo que o cliente procura.

Se uma pessoa demonstrou interesse apenas em determinado serviço, essa informação pode ajudar a tornar um contato posterior mais relevante.

Crie a primeira versão em uma planilha

Para uma operação pequena, uma planilha pode ser suficiente.

Cada linha representa um cliente ou contato, enquanto as colunas guardam as informações necessárias. É possível criar campos como “Nome”, “Contato”, “Interesse”, “Última interação” e “Status”.

O status é especialmente útil para diferenciar situações comerciais. Em vez de tratar todos como se estivessem no mesmo estágio, a empresa pode identificar contatos que ainda estão avaliando uma compra, clientes ativos e pessoas que já compraram anteriormente.

Evite, porém, transformar a planilha em um depósito de informações.

Comentários pessoais irrelevantes, documentos que não são necessários para aquela finalidade e dados obtidos sem uma justificativa adequada aumentam a exposição da empresa e pouco contribuem para futuras vendas.

Separe os clientes em grupos

Uma lista única com centenas de contatos perde parte de sua utilidade quando todos recebem a mesma comunicação.

A segmentação permite organizar pessoas segundo critérios relevantes para o negócio. Uma loja pode separar clientes pela categoria de produto pela qual demonstraram interesse. Um prestador de serviços pode distinguir clientes atuais de antigos clientes e de potenciais compradores.

Outra possibilidade é considerar o histórico comercial.

Quem comprou recentemente pode precisar de uma comunicação diferente de alguém que apenas solicitou informações meses atrás. Da mesma forma, uma oferta relacionada a determinado produto pode não fazer sentido para toda a base.

Quanto melhor a segmentação, menor a necessidade de disparar a mesma mensagem indiscriminadamente.

Não crie segmentos invasivos

Segmentar não significa coletar qualquer informação possível sobre uma pessoa.

Dados pessoais sensíveis recebem proteção específica na LGPD. A legislação contempla nessa categoria informações relacionadas, entre outros aspectos, à origem racial ou étnica, convicção religiosa, opinião política, filiação sindical, saúde, vida sexual e determinados dados genéticos ou biométricos.

Para uma lista comercial comum, informações dessa natureza normalmente não devem ser coletadas sem que exista uma necessidade e uma hipótese legal apropriadas.

Como conseguir contatos para formar a lista?

Uma base de qualidade deve ser formada a partir de interações legítimas com o negócio.

O contato pode surgir durante um cadastro, atendimento, pedido de orçamento, compra, inscrição em uma comunicação comercial ou outra interação na qual a coleta tenha uma finalidade definida.

Se a estratégia utilizar consentimento como base legal, a manifestação deve ser livre e relacionada à finalidade apresentada. Informações oficiais do Governo Digital destacam que o titular deve ser informado sobre a possibilidade de não fornecer o consentimento e sobre as consequências dessa escolha.

Isso torna inadequado presumir que qualquer telefone encontrado em uma conversa antiga automaticamente pode ser utilizado para todo tipo de campanha futura.

Também merece cuidado a ideia de comprar bases prontas de contatos. Além dos problemas de qualidade e reputação, utilizar dados obtidos de terceiros não elimina as responsabilidades relacionadas à origem, finalidade e base legal do tratamento.

Cliente antigo pode receber ofertas?

O fato de alguém já ter comprado não significa que todos os usos posteriores de seus dados estejam automaticamente autorizados.

A base legal adequada dependerá da finalidade e das circunstâncias concretas. A LGPD admite o legítimo interesse em determinadas situações envolvendo dados pessoais não sensíveis, mas a ANPD ressalta que essa hipótese exige avaliação cuidadosa e individualizada, inclusive considerando os direitos e as liberdades fundamentais do titular.

Por isso, não é recomendável tratar “já foi cliente” como autorização genérica para qualquer campanha.

A empresa precisa analisar sua operação, o contexto em que o dado foi obtido e a finalidade do novo contato. Em situações mais complexas, orientação especializada em proteção de dados pode ser necessária.

Facilite a saída das comunicações

Uma boa lista não serve apenas para adicionar contatos. Também precisa permitir que pessoas deixem de receber determinadas comunicações quando isso for aplicável.

A LGPD garante diferentes direitos aos titulares, incluindo acesso, correção de informações incompletas ou desatualizadas e, nas situações previstas na legislação, eliminação de dados e revogação do consentimento.

Se alguém pedir para não receber mais determinada comunicação, o processo interno precisa permitir que essa preferência seja registrada corretamente.

Um erro comum é remover o contato de uma planilha, mas deixá-lo cadastrado em outra ferramenta utilizada para campanhas. Quando existem vários sistemas, é importante manter o controle de preferências consistente.

Proteja a lista de clientes

Uma base comercial pode se tornar um ativo importante para o negócio, mas também representa uma responsabilidade.

Não deixe planilhas com dados de clientes publicamente acessíveis. Controle quem pode visualizar e editar as informações, utilize contas protegidas e conceda acesso somente às pessoas que realmente precisam trabalhar com aquela base.

Se funcionários ou prestadores utilizam a lista, também é importante definir procedimentos para impedir cópias desnecessárias e uso fora das finalidades do negócio.

Outra medida útil é revisar periodicamente os registros. Informações antigas e sem utilidade não precisam permanecer indefinidamente apenas porque algum dia foram coletadas. Os critérios de retenção, entretanto, devem considerar as finalidades e eventuais obrigações legais aplicáveis à empresa.

Quando trocar a planilha por um CRM?

A planilha costuma funcionar enquanto o número de contatos e interações é pequeno. Com o crescimento, começam a surgir problemas como registros duplicados, dificuldade para descobrir quem fez o último atendimento e falta de histórico organizado.

Nesse momento, um CRM pode facilitar o processo.

Esses sistemas são desenvolvidos para administrar relacionamentos comerciais e podem permitir organização de contatos, oportunidades, etapas de venda, tarefas e históricos, dependendo da solução escolhida.

Antes de contratar uma ferramenta, analise quais dados ela armazena, recursos de segurança, controles de acesso, políticas aplicáveis ao tratamento das informações e possibilidade de exportação ou exclusão de registros. Evite escolher um sistema apenas porque possui muitas funcionalidades.

Transforme a lista em relacionamento, não em spam

O verdadeiro valor de uma lista de clientes aparece quando os contatos recebem comunicações pertinentes.

Em vez de enviar ofertas constantemente para toda a base, utilize as informações disponíveis para decidir quando existe uma razão comercial adequada para entrar em contato. Frequência excessiva pode levar clientes a ignorar mensagens, solicitar descadastro ou bloquear o remetente.

Uma lista pequena, atualizada e bem segmentada pode ser mais útil do que milhares de contatos coletados sem critério.

O processo pode começar com uma planilha contendo apenas as informações essenciais. Conforme as vendas e os atendimentos aumentarem, a empresa pode aperfeiçoar a segmentação e adotar ferramentas mais apropriadas. Em todas as etapas, finalidade clara, segurança e respeito às escolhas do cliente devem fazer parte da estratégia. Assim, a base deixa de ser apenas um cadastro e passa a apoiar um relacionamento comercial mais organizado.

Fontes consultadas